Paixão de Cristo: a vulnerabilidade do amor

Mons. Luiz Rodrigues Oliveira - Pároco

Estamos vivenciando o período (quarenta dias) que na tradição católica chamamos quaresma. Quarenta dias referenciados aos quarenta anos que o povo de Deus peregrinou em busca da terra prometida; quarenta dias, tal qual o jejum de Jesus...

São muitas as referências bíblicas que nossa tradição compilou até chegarmos a esse período no qual a Igreja quer apontar uma via de seguimento ao Seu Mestre.

A quaresma nos remete ainda a uma outra realidade: a grandeza teológica da kenosis que Deus exerce, renunciando à sua condição divina para tornar-se um conosco (mistério da encarnação), caminhar conosco e como nós caminhamos. É a vida humana e frágil de Jesus de Nazaré que desde o seu nascimento revela-se um sinal de contradição para o mundo: “o Filho de Deus não tem onde reclinar a cabeça”!

Em Jesus Deus emerge fraco e sem defesa; é uma potência de serviço, mas sempre afirmando e potenciando a liberdade humana. Nós, os simples (senso comum) e/ou os entendidos (a teologia clássica) não sabemos combinar Deus com a impotência e a morte de cruz (maldição segundo a cultura antiga). Tal coexistência pareceria absurda pois supõe um Deus impassível e incapaz de sofrer e amar. Mas Deus é amor e, um Deus incapaz de sofrer é incapaz de amar.

Em Jesus Deus se fez sofredor, sedento de justiça; um Deus Pai misericordioso que corre atrás do filho tresmalhado, aquele que retorna e pede perdão. Abraça-o, faz festa para ele e, juntos, celebram a vida. Um Deus pastor que deixa as 99 ovelhas agregadas e vai em busca daquela que se perdera.

A quaresma nos faz vivenciar a Semana Santa que, através dos textos sagrados que proclamamos, nos remete à pergunta da existência: quem é o ser humano para que Deus o ame dessa forma? A partir da paixão de Deus por suas criaturas, sua dignidade e apreço o ser humano se torna o lugar-tenente de Deus no mundo, devendo prolongar o Seu ato criador, transformando a terra em passagem fraterna e humana (Laudato Si). É um projeto infinito que só encontra adequação e descanso no Infinito.

A Semana Santa significa também um juízo crítico e um julgamento de Deus sobre nossa condição decadente sobre nossas práticas perversas e bestiais.

Mas, voltemos a Deus, ao que Ele é, Amor. E afirmemos sem meias palavras que todo amor é vulnerável! Deus-amor se fez carne, paixão por nós; fez-Se o que de mais frágil poderia existir, a carne.

A onipotência se fez impotência ao assumir essa condição; fez-Se o que não era para, na isonômica relação divino-humana elevar a Sua criatura mais importante naquilo para que Ele a criou. Assim, a vulnerabilidade do amor é a força-amante do Amante-Amor.












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