Se,
como diz S. Pedro (2 Pd 3,9), "o Senhor não
tarda em cumprir sua promessa, o que Ele está é
usando de paciência convosco, porque não quer
que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se",
acredito que devemos usar da mesma paciência para
com o mundo em relação à mensagem do
Natal.
Mais
de dois mil anos decorridos desde o nascimento de Jesus
Cristo, e o mundo ainda não internalizou a essência
desse mistério; ao contrário, a evolução
e as mudanças sociais têm nos levado a uma
profunda descaracterização daquilo que realmente
seja o evento que se aproxima: a vinda do Filho de Deus
ao mundo, na carne humana de Maria. Mistério da
Encarnação do Verbo. Verbo que se faz homem,
que entra na história humana, saneando as ambigüidades
da existência, possibilitando-nos alcançar
o último estágio da criação,
a divinização do humano.
Falar
de Natal na cultura contemporânea é desenvolver
um grande esforço de desconstrução
cultural, porquanto o que as gerações hodiernas
mais têm absorvido é o que resulta das produções
mercadológicas. A indústria e o comércio,
cumprindo sua finalidade mais evidente que é o
lucro, têm-se esmerado na construção
e afirmação de um mito que, não obstante
ser interessante e atraente à sensibilidade infantil,
não somente não nos remete a Jesus, como,
o que é mais grave, o descaracteriza radicalmente.
Sim, papai Noel não é Jesus! Precisamos
dizer não a esse imbróglio cultural e proclamar,
alto e firmemente que o Natal anualmente celebrado pelas
Igrejas cristãs é o nascimento de Nosso
Senhor Jesus Cristo, o Verbo de Deus feito carne para
nossa salvação!
Assim,
cabe-nos reler São Pedro como acima o fizemos:
paciência histórica, persistência no
anúncio das nossas convicções, a
fim de desconstruirmos culturas de mercado e construirmos
realidades de salvação. Papai noel não
salva; ele é fruto do mercado que precisa de consumidores;
Deus sim, salva-nos em Jesus que nasce a cada ano no coração
do mundo, para o bem dos homens.
Precisamos
e devemos continuar afirmando todos os anos, repetidamente,
insistentemente, teimosamente... Nasceu Jesus, Feliz Natal!