ESTOU
À PORTA E...
Mons.
Luiz Rodrigues Oliveira
- Pároco
Se
não parecesse demasiado pretensioso, eu começaria
esta primeira conversação com os milhares
de paroquianos e/ou leitores do "Nossos Passos",
com a expressiva exortação do papa João
Paulo II ao iniciar o seu longo e profícuo pontificado,
naquele inesquecível 1978: "espalancare il cuore
al Redentore", isto é, abra o coração
ao Redentor ou ainda, numa linguagem mais popular, escancare
o coração... Não querendo parafrasear
nem repetir o S. Padre de saudosa memória, faço
uso de um belíssimo texto sagrado (Ap 3,20), para
não somente ilustrar, mas fundamentar o que me proponho
nesta hora singular da minha vida sacerdotal.
Depois
de um longo caminho de ministério e magistério,
já nesta fase outonal da vida, eis que a Providência
me coloca ad limina Domini para, na leveza da Graça,
abraçar a cruz, seguindo os passos do Redentor.
Tendo
consciência da minha pequenez e, certo de que os braços
do Crucificado estão sempre abertos porque seu coração
continua vivo, pulsando o sangue sacramental da redenção,
ponho-me aos seus pés, de coração genuflexo,
para contemplar, proclamar e caminhar...
Ciente
de que "caminhando se faz caminho", convido a
todos para caminharmos juntos abrindo espaços, fazendo
caminhos que se não são necessariamente novos,
sê-lo-ão diferentes, haja vista a individualidade
que nos faz diferentes.
Calcado nisso, saúdo e abraço a todos, pedindo-lhes
que abram a porta do seu coração não
somente para acolher o irmão que chega como pastor,
mas acolher, verdadeiramente no coração, o
Cristo, Senhor dos Passos, nosso Redentor. Se abrirmos a
porta a Ele, Ele entrará e ceará conosco e
não seremos apenas uma associação de
fiéis, uma instituição esclerosada
pelos anos de história, mas um evento salvífico,
a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, uma comunidade-comunhonal.
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